Menos imposto, mais desigualdade


A tão falada carga tributária brasileira, “demônio” de nossa economia, é ridiculamente baixa comparada à de países “comunistas” como os Estado Unidos:

“O Brasil é o país que menos tributa renda de patrimônio, se comparado ao total de sua carga tributária bruta, dentre os 36 países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Por aqui, de cada R$ 1 arrecadado, apenas R$ 0,22 vem de taxas sobre a renda e do patrimônio.
Nos demais países, essa mordida seria de R$ 0,40 para cada R$ 1 pago em tributos. Nos Estados Unidos, por exemplo, 59,4% do que é arrecadado pelo Fisco vem de impostos sobre a renda e o patrimônio da população. Isso significa que, no Brasil, a tributação recai muito mais sobre o consumo, que basicamente é movido pelas famílias de renda menor. Assim, o sistema tributário acaba penalizando os que têm rendimentos mais baixos.”

Evidente que isso não é um acaso ou um “descuido” de nossos formuladores de políticas econômicas.

“Isenções fiscais, benevolentes benefícios e relações de compadrio com o Estado marcam a composição da renda do topo da pirâmide social, enquanto o país tem um dos piores níveis de mobilidade social do planeta. Portanto, é imperativo que soluções para as contas públicas perpassem pelo cerne da questão, ou seja, a real discussão redistributiva no país, inserindo os direitos da base da pirâmide social na equação fiscal”.

Só que não.

A mais grosseira das injustiças é uma quase “jabuticaba” instituída por Fernando Henrique Cardoso. A pretexto de não efetuar-se bitributação, considerou-se que o Imposto de renda pago pela empresa deveria tornar isentos os ganhos de seus cotistas ou acionistas a título de lucros e dividendos.

Se você ganha R$ 6 mil por mês, o Imposto de Renda o taxa em 27,5% (quase tanto, descontados os abatimentos de renda) quanto quem ganha R$ 60 mil.

Mas isso só se for em salários, porque se forem ganhos em lucros ou dividendos embolsados, você pagará, literalmente, nada por estes ganhos, ainda que sejam de R$ 600 mil, R$ 6 milhões ou R$ 6 bilhões.

A distorção é monstruosa e a tributação acaba recaindo com mais força sobre o consumo, o que, claro, faz com que incida da mesma forma para todos, independente da renda.

E a classe média, com sua renda e seu emprego degradados, passa a gritar contra os impostos, fazendo o jogo de quem a empobrece e, pior, degrada os padrões de convivência social, quando corta as despesas públicas e enche as ruas de miseráveis e as páginas dos jornais de crimes violentos.

Na BBC, há os detalhes da queda de renda entre os mais pobres e, dentre eles, a piora da situação de mulheres e negros.

 

@ Siga no Instagram